chorei na porta do avião.

E foi como uma criança. Mas não uma criança tola, uma criança que chora com razão e não liga para o jeito com que as pessoas vão olhar. Simplesmente porque crianças têm o direito de chorar só por serem crianças.

Estava embarcando pela primeira vez com a minha cachorrinha na cabine do avião. Zeldinha já viajou algumas vezes no porão, mas eu estava cansada de vê-la ser despachada na esteira, por isso resolvi tentar um jeito diferente.

Comprei uma caixa de transporte bonita e confortável, apesar de muito pequena e quase apertada para ela. Como sempre, peguei atestado sanitário, paguei uma taxa de R$ 180 para o embarque, dei um calmante e andei em direção à sala de embarque.

Estava tudo bem até que Zelda ficou agitada e mordeu a tela da caixa. Como o material era muito fino, ela conseguiu rasgar e passar a cabeça por ele. Mas, depois ela se acalmou e eu consegui chegar até a porta do avião. Dei mais calmante com bifinho, já que a fila de passageiros estava chegando ao fim e Zeldinha não ficava quieta dentro da caixa.

Quando todo mundo entrou, ela ainda estava agitada e a chefe de cabine me alertou que ela não poderia entrar se a caixa de transporte estivesse aberta. Eu mostrei e disse que ela havia rasgado, mas não conseguiria sair por aquele buraquinho.

Não teve jeito. A moça começou a repetir umas 454874 vezes que, se houvesse um fiscal da Anvisa no avião, a TAM seria multada por transportar animais de maneira incorreta e ela não poderia permitir pois era a pessoa responsável.

Eu desabei. Chorei como uma criança com uma mochila nas costas e cachorrinho na mão. Por sorte, Zelda deve ter entendido a situação e virou de costas para o furo e dormiu ali mesmo.

Antes que não houvesse mais nenhuma esperança, um funcionário saiu me dizendo que ia providenciar algo para lacrar. Enquanto ele foi buscar uns plásticos que não sei o nome, essa chefe de cabine e outra aeromoça repetiam o que eu já tinha entendido mais umas 666 vezes. Eu pedi apenas que aguardassem o rapaz que iria me ajudar.

E foi o que ele fez. Trouxe dois lacres de plástico que servem para fechar coisas, não sei como chama, por isso tirei uma foto [clica aqui].

Na hora que entramos no avião, houve uma mini comoção. Uma senhora olhou para mim e disse: “Graças a Deus! Minha filha, eu estava aqui rezando por você!”

Eu sentei e fiquei com a caixa no meu colo, como havia sido orientada por um funcionário da TAM anteriormente. Mas, outra aeromoça veio reclamar. Eu disse que havia sido orientada assim, ela ainda tentou bater boca, acredita? Nesse momento, eu já estava com vontade de mandar para o raio que o parta qualquer pessoa que falasse qualquer coisa. Que mulher infeliz, me viu super mal e ainda veio falar merda em tom de ‘bronca’, sabe?

A minha mochila foi colocada em algum lugar e o avião levantou o voo mais tenso da minha vida. Sem fones, sem livro, sem computador, passei 2 horas e 45 minutos me sentindo a pessoa mais inconveniente do mundo, morrendo de medo de Zeldinha tentar sair novamente e chorando: por constrangimento, por não ter evitado/ previsto isso…

Pensei um monte.

Acho correto a TAM ser super responsável e exigente em relação às normas. Só fiquei chateada porque esperava um atendimento atencioso, esperava que as pessoas fossem doces quando eu chorava, mesmo que elas realmente não me deixassem embarcar. Foi aí que me dei conta: é só um meio de transporte, não é parte de uma viagem.

Passou. Mas, é claro, estou morrendo de medo de como será a volta de Zelda pra São Paulo.

my blueberry day.

O meu inferno astral não poderia ser mais caricato: esse momento sabático em que os astros querem me fazer refletir e me preparar para uma próxima etapa vieram com nada mais do que uma viagem para Petrolina para o meu namorado. Para muita gente pode parecer bobagem quando eu disser que ele viajou na madrugada do sábado e voltará no próximo domingo. Mas, como nós moramos juntos, será uma eternidade de solidão.

Hoje já foi um dia bem dramático: primeiro eu assisti Star Wars IV, podem me xingar, mas foi a primeira vez. Eu gostei. Depois eu comecei o livro do desafio literário, Orgulho e Preconceito. Em seguida, dei uma pausa para assistir My Blueberry Nights enquanto esperava o meu temaki e as minhas trouxinhas de salmão – foi a última coisa que a gente comeu juntos antes de ele viajar :( Quando foi escurecendo, na melhor e pior parte do dia, que é quando eu sofro porque o dia está indo embora (ah, gente, o crepúsculo é muito lindo), senti vontade de comprar cigarros para matar as saudades. Gente, eu deveria ser de Câncer e não de Aquário.

Nossa, quanta melação. E nada de reflexão, nada de pensar na vida. Aliás, também não tenho ideia no tipo de coisas que eu poderia estar pensando, solucionando. Meu humor continua estranho, mas ainda culpo a TPM.

Para temperar esta mini fase excruciante, nessa semana que passou, uma amiga me fez a pergunta bombástica: “quais são os planos?”. Eu respondi que não tenho nenhum, que estou ok. Ela rebateu como algo como “e Paris, NY…?”. Impressionantemente, não me senti estagnada ao responder que estou apenas feliz do jeito que estou, só pensando em fazer cursos de línguas, nada de mais por enquanto.

Talvez o momento seja de aprender a se sentir feliz independentemente das coisas externas, de aprender a olhar para dentro das coisas. Isto significa que a busca por novidades e crescimento pessoal devem ter um novo significado daqui para a frente. Eu ainda não tenho ideia de qual seja, mas parece que terá muito menos a ver com plenitude e me deixará muito menos angustiada. Talvez o que eu penso sobre felicidade esteja mudando, talvez esteja deixando de ter a ver com ter sempre algo incrível em mente para realizar. E talvez o inferno astral não seja para pensar, e sim para sentir.

Ok, meu amor. Já pode pegar um avião e voltar para casa.
Acho que vou ver Moonrise Kingdom enquanto você chega.

o axé de Copacabana.

Que Deus te livre de mau olhado
acidente aéreo e de carro
facada ou tiro
traição
falsidade
olho gordo e inimizade.

Que a Nossa Senhora olhe por ti
que não falte dinheiro
nem sorte
nem saúde
e nem amor.

Que quando você chegue em casa e vá olhar na sua carteira tenha R$50 reais a mais do que ontem. Que, tarde da noite, na Central do Brasil, ninguém leve seu smartphone. Que o ônibus apareça na hora certa e que suas canelas corram bastante para alcançá-lo. Vai dar tudo certo. Amém.

p.s.: Realmente eu recebi um ‘axé’ do pai de santo (nem sei se é pai de santo que diz) da foto. E foi de graça. Foi presente. O último parágrafo é baseado em fatos verídicos. A reza do começo eu escrevi do jeito que eu acho que era, mas pode não ter nada a ver.

acampar num teardrop.

Imagina que delícia acampar num lugar bonito num teardrop super fofo que nem esse? Melhora qualquer final de semana! Para alugar um teardrop, como são chamados esses “trailerzinhos”, você pode clicar aqui: http://vacations-in-a-can.com. Seria mais legal (mais fácil) se fosse no Brasil!

como chegar à crooked house.

Vendo uma série de fotos que parecem ter sido feitas com photoshop me deparei com essa imagem que realmente não se trata de photoshop. Não, eu não estive lá para conferir. Mas, descobri que fica numa cidade chamada Sopot, na Polônia. O design das casas é do arquiteto polonês Szotynscy Zaleski, inspirado pelas ilustrações de contos de fada do artista Jan Marcin Szancer e também pela arte de Per Dahlberg.

Ilustração de Szancer

E eu fiquei tão curiosa para conhecer essa “casa torta” que resolvi simular como seria o meu trajeto até lá. O primeiro passo foi descobrir qual das cidades polonesas que têm aeroporto (ou voo saindo de Recife) fica mais perto de Sopot, cidade onde ficam as casinhas. A resposta é Varsóvia. Então a primeira coisa a se fazer é comprar uma passagem para Varsóvia. Saindo de Recife eu encontrei passagens entre R$3k  e quase R$ 4k. Carinho, hein? (mas como eu não tenho o dinheiro mesmo, tá ok hehehe)

(aeroporto >> ônibus 634 para descer perto de Warzawa centralna (estação central) // ou táxi)

O segundo passo foi descobri como chegar de Varsóvia até Sopot. Pesquisando no Google eu achei esse site que vende tickets de trem. Lá você também encontra horários, preços e pode comprar online – super eficiente. Além disso, a viagem tem um preço bem ok. Os quase 400 km que separam Varsóvia de Sopot iriam me custar entre 90 e 95 zloty (moeda polonesa), o que significa uns US$28! Na verdade o trem deixa na estação de Gdansk, de lá é só mais um ônibus e em 20 minutos eu já estaria no albergue em Sopot.

Essa é a estação Gdansk, a última parada antes de Sopot:

Antes de chegar à Crooked House, eu iria deixar minha mochila no Siesta Hostel, o mais baratinho e charmoso que eu encontrei. Eu vi que a diária custava US$ 17, mas não sei se esse preço está atualizado. Mesmo assim, se for o dobro ainda está ok. Até porque ele fica a 20 minutos da estação Gdańsk, que é a mais perto de Sopot.

Olha a frente do albergue!

Daí, eu caminharia um pouquinho mais de um quilômetro até a rua onde fica a Crooked House :) Vejam na foto do Google Maps como é bonitinha a rua em que ela fica. 

E aí, curtiram a viagem? Pena que foi só via Google Maps, né?