bombástico.

A vida não é feita só das pequenas coisas que a gente constrói dia após dia. A vida é também feita de acontecimento bombásticos, é bom lembrar. Recentemente, aconteceu um evento que provavelmente será considerado um dos maiores da minha vida: a apresentação do TCC. Foi na última quinta-feira, dia 13 de dezembro. Era só mais um dia muito quente de dezembro. Mentira, não era.

Eu fingi não dar muita importância porque eu esperava de mim algum trabalho mais feroz, mais animado, mais inovador, mais corajoso. Não foi uma coisa que me deu muito tesão. Mas, foda-se, né? Quem manda ser desleixada e deixar para pensar o tema na última hora? Apesar do 9,5 na monografia sobre o meme overly attached girlfriend, eu não sai me sentindo orgulhosa, só aliviada.

Graduação é uma coisa que te prende de certa forma. Eu conheço as possibilidades de uma transferência, mas quem quer terminar um curso, sabe que transferência quase rima com detença, que significa delonga. E aí que chegou o grande momento de finalmente concluir uma etapa, fechar algo, ainda que sem uma chave de ouro.

Minutos depois do ‘livramento’ é difícil perceber o seu significado. Mas, as horas vão se passando e uma nova sensação começa a preencher o espaço que antes era ocupado pela ansiedade do fim. Sinto cheiro de novidades, de mais curiosidade, de novas ambições e de que é preciso muito reflexão para seguir a jornada.

pensar dentro da caixa.

O mundo está cheio de informações, mas é cheio mesmo. O acervo da Wayback machine, local onde ficam armazenados os sites do Internet Archive, cresce nada menos do que 200 terabytes por mês! Só para se ter uma ideia, em 1 terabyte é possível armazenar 1.428 filmes de 700MB cada. Esse monte de informação remete logo aos rios do mais puríssimo besterol que a internet da vazão. Mas, é melhor ser otimista e lembrar que é assim que o acesso se abre para as coisas que fazem arregalar os olhos.

Essa história tem a ver com Kenneth Goldsmith, criador do Ubuweb. O site não tem a interface mais amigável do mundo, mas guarda um conteúdo que merece ser explorado. Goldsmith é professor de “redação não criativa” na Universidade da Pensilvânia e é um ótimo exemplo de como essa penca de conteúdo pode ser canalizada de maneira positiva. O chocante é que ao invés de dizer para os alunos criarem coisas novas, ele incentiva releituras, remixes, replicação, plágio e pirataria.

Na verdade, a anarquia tem limite e uma finalidade interessante. Recomendo a leitura da entrevista com ele aqui no site da Revista Select.  É bom para repensar questões maiores da produção cultural, como a autoria do que é produzido em tempos de internet e como podemos simplesmente reciclar ideias sem medo de parecermos não criativos ou kibadores de uma figa.

feliz 2011.

Que 2011 venha com sabor de nutella.

Ok, as frustrações são inevitáveis, mas que pelo menos nos deixem algum aprendizado.

Que o balanço geral seja positivo, assim como o deste ano que está indo embora.

Que também tenha uma pimentinha para deixar as coisas ardentes de vez enquando.

E que a gente se emocione, suspire, transpire, se canse, descanse… que a vida borbulhe!

 


Tássia Rebelo