o horóscopo e as notas do perfume.

Antes de começar este texto, notei que em pleno dia 9 ainda não li todo o meu forecast de maio no astrologyzone.com (site da astróloga queridíssima, Susan Miller) – eu disse “todo” porque costumo lê-lo por partes, para conseguir apreender tudo que os astros revelam, e não é pouca coisa! De qualquer forma, já estou bem orientada pela fofíssima Maina Mello (eu me sinto amiga das minhas astrólogas preferidas).

Se você não acredita em horóscopo e nem que os astros podem influenciar a nossa a vida esfarelada aqui na terra, tudo bem, pode clicar aqui. Mas, se você acredita, vou te contar a história do perfume.

Outro dia eu estava tentando explicar para uma amiga o que significa ascendente, signo solar e a lua no mapa astral. Repentina e astutamente meu cérebro me levou a comparar o mapa astral de uma pessoa com um perfume e suas notas aromáticas (se alguém já fez isso eu juro que não sabia). Funcionou, ela entendeu e agora eu tenho que dividir essa metáfora maravilhosa com vocês.

  • Ascendente

É a nota de topo, a primeira impressão do perfume. O seu ascendente é a primeira impressão que você passa para as pessoas, mas que não necessariamente reflete a sua personalidade. É como a gente se mostra para o mundo quase que sem querer. Sabe quando alguém comenta, “nossa, achei que você era timida”? Isso geralmente é reflexo do seu ascendente. Uma aparência que às vezes engana.

  • Sol

Nota do coração, seu aroma é sentido após 30 minutos. Meia hora de conversa é suficiente para uma pessoa observadora captar os sinais do signo solar de alguém. Este tem a ver com a essência e as características mais marcantes. Quem tem uma amiga leonina sabe quem em meia horinha de conversa ela solta um “porque eu sou maravilhosa” ou algo parecido. A aquariana, por sua vez, acaba deixando escapar sua preocupação com um bem maior ou algo do tipo.

  • Lua

Nota de fundo, percebida depois de 2 horas. Essa é a Lua, ela representa os sentimentos, questões afetivas e emoções. Costuma aparecer um pouquinho mais tarde, com a intimidade. A lua faz toda a diferença no mapa. Eu sou aquariana com ascendente em leão e tenho lua em câncer – isto é, sou desapegada, prezo a liberdade, pareço mais confiante do que realmente sou e, apesar do desapego de aquário, tenho um coração super maternal.

Os signos são como as fragrâncias e cada pessoa é um perfume diferente, elaborado a partir de uma mistura única que começa no dia do nascimento, mas que acaba sendo influenciada todos os dias: pela vida, pelos astros, pelas pessoas.

Quer falar mais sobre isso? Então vem!

se é pra falar de amor.

Cadê o Marcinho, gente? Não sei por onde ele anda e talvez por isso ninguém esteja falando muito de amor. O coração de 2015 está prejudicado, deu para sentir a pancada no divórcio da Joelma e do Chimbinha, o casal mais maravilhoso do Pará. Agora, amor é só para quem já encontrou: quem amou, amou; quem não amou, não ama mais.

Para Joelma, do Calypso

Joelma, querida, seja bem-vinda à gaiola das loucas que não falam de amor, que não se apaixonam e não têm brilho nos olhos, nem frio na barriga. Quando raramente sentem algo assim, sanam com álcool ou qualquer outro entorpecente (Netflix, cappuccino, nutella, hotel spa ou trabalho).

Flores e crianças não são bem-vindas (sua filha já tá crescidinha, né?). Esse chocolate aí você pode levar de volta, porque elas estão todas de dieta. Só comem chocolate na TPM. Todas juntas. Pois seus úteros são inimigos mortais – mas todos falham na missão de reproduzir. E pode faltar água, nunca anticoncepcional e vontade de continuar sozinha e livre.

Jo, e se a gente encontrasse o Marcinho e pedisse para ele contar de onde vem a paixão, de onde vem a coragem para admiti-la e deixar se entregar? Ele deve saber onde que a gente joga fora esse medo de assumir. Será que a gente escapa dessa gaiola?

Em 2015, Elizabeth e Mr. Darcy não vão chorar na chuva até admitir o quanto se amam e querem deixar de lado qualquer empecilho que os separam. Mr. Darcy, cauteloso em seus pensamentos, demorará demais para responder o WhatsApp e, orgulhosa, Elizabeth nunca mais irá responder, estupefata com a ousadia das silenciosas setinhas azuis.

E agora, Joelma? Tu que cantava a Cumbia do Amor sucumbiu a 2015.
Marcinho, acode!

a gente faz as pazes todos os dias.

Não é porque a gente briga todo dia (acabei de lembrar que você disse que ligaria quando chegasse em casa e não ligou), é porque a gente não quer mais envenenar o relacionamento com bobagem.

Outro dia ele ficou chateado porque eu dormi o dia inteirinho e aquele sábado era o dia que a gente tinha para ficar junto. Em outros tempos eu teria respondido que ele é um chato que não entende que eu estava super cansada. Mas, desde que a gente decidiu por fazer as pazes todos os dias, a resposta mudou e, como ainda eram 19h, eu prometi naquele momento que faria as últimas horas do dia valer a pena <3 e tudo ficou bem de novo.

Foi aí que eu percebi que se você não tem atitudes pacíficas (na maior parte do tempo) tudo vai por água abaixo e o relacionamento começa a ser destrutivo para os dois por um questão de ponto de vista, impaciência e falta de colaboração – coisas inexistentes no começo do namoro, quando os coraçõezinhos estão transbordando das nossas têmporas.

É por isso que para manter o relacionamento saudável, é bom que se faça sempre as pazes, que a paciência nunca falte, porque na hora que realmente precisar armar um barraco, a gente não corre o risco de ser mal interpretada (TPM, piti, tempestade num copo d’água) e muito provavelmente será ouvida – e isso vale para os dois lados. Porque mimimi só atrapalha.

dois sopros, 4 suspiros.

Eles viviam numa casinha com uma árvore na sala e uma mesinha de jantar. Às vezes, as paredes cochichavam. O quarto tinha uma janela que sabia de todos os segredos. Ali, dormiram de conchinha desde que apareceu o primeiro fio branco na barba dele, numa noite de outono.

Não importava o quão quente e seco fosse o dia, o lugar tinha sempre um cheirinho meio úmido de perfume, cigarro e vinho derramado. A vida era branda em todas as suas realidades – mas só quando ele segurava sua mão.

Ele pescava e ela preparava o jantar. Antes de comer, dançavam uma música que tocava só para eles. Depois, fumavam e contavam as estrelas. Às vezes, saiam juntos para pescar, mas ficavam jogados na água. Esparramados.

Ela o amava, e amava principalmente o jeito que ele levava a vida exatamente para onde queria, mesmo quando parecia estar deixando passar.

Ela nem era tão bonita. Ele era bonito de corpo, alma, sorriso torto.

Ele gostava do jeito que ela levava a vida sempre com mãos firmes às rédeas. Ela gostava de como ele não precisava tomá-las.

À noite, ele apresentava para ela as criaturas fantásticas que habitam este plano mas que nem todo mundo consegue ver. Ela nunca veria sozinha.

Ela amava tanto aquele ritmo lento, contínuo, mais rápido, lento, muito rápido, lento e lento.

Dois sopros e 4 suspiros mais tarde, ela sumiu. Ele sumiu para sempre.

Lady lights a cigarette, puffs away and winter comes.

sentant Paris.

Assim como há significado para tudo, há sentimento. E, antes de “chegar ao coração”, dá pra sentir na pele, nos olhos, nos cabelos, nos sapatos, nos dentes, nos ouvidos – envolve tudo. Umas coisas nos provocam mais, outras menos, mas há aquelas que mexem com todo mundo. Assim é Paris.

O sentimento que a cidade exala é marcante como os seus perfumes. O jeito confortável como os franceses vivem as suas vidas e os seus baguetes incomodam. Sim, mas é algo bom, dá vontade de viver como eles, de compartilhar essa simplicidade que deixa tudo simplesmente chic . Dá mais sede de vinho em Paris, dá vontade de parar em mais de um café a caminho de casa (ah, que sonho morar lá!), a gema mole do meu croque madame reflete a torre Eiffel!

Em Paris, eu não ligo para o melhor carro do ano. Eu só quero ver a cidade de bicicleta ou a pé, sair cedo do trabalho e talvez pegar o caminho mais longo, porque vale a pena. Ainda mais se no meu caminho eu puder cruzar o Jardin du Tuileries ou o Luxembourg.

As cores de Paris não brilham mais que as de Amsterdã, mas o sentimento parisiense é como um filtro quente, no tom certo da sensatez, do melhor sabor. E nem importa se é o mais bonito, porque é o mais aconchegante. Com cheirinho de café e croissant au chocolat.

muito estranho.

Muito magro, muito pálido. Perdido. Completamente perdido. Olhava para o nada, via tudo e nada ao mesmo tempo. Pessoas com passos apertados, guarda-chuvas pretos, chuvisco cinzento.

O vento gelado era um banho álcool no seu rosto sangrento. A maçã ossuda do lado esquerdo brilhava e escorria pelo queixo. Como um pássaro adormecido com as asas quebradas, nunca sairia daquele lugar.

Seus cabelos cresciam para o alto. Um jeans sujo mal alcançava seu calcanhar. O moletom azul que cobria o seu peito magro não agasalhava, não escondia.

A velocidade do pensamento era tão fulgaz que se desfazia antes de chegar ao próximo. Isso calava a sua boca, tampava seus ouvidos. A respiração continuava forte. Os olhos se espremiam numa tentativa de afastar a dor e alguns pensamentos.

Era insano e estava perdido. Não sabia se tinha para onde ir. E se tivesse não iria. Mas era bem verdade que existia. Estava ali, a pele cortada e banhada de sangue concretizava todos os sentimentos; vivos, acordados.

dia da gazela.

Mindfulness | via Tumblr

Não dá pra negar quando o sentimento pega. Tem sempre uma força maligna que agarra, magnetiza para baixo, faz se expor e coloca nas últimas porque apela sem dó. Principalmente quando sente que já perdeu. E faz alarde para chamar atenção. Buzina no pé do coração amado, mesmo que a este faltem os cotonetes ou apenas se faça de surdo.

Liga o foda-se. Convence a si mesmo de que já tem o não e corre atrás feito leopardo. Mas hoje é o dia da gazela.

É por isso que implico com essa história de paixão. É insensata, essa vadia. Aparece quando quer, vai embora sem dar explicações. Sai borrifando despudoradamente essa vontade que dá, vontade sempre de alguém que a gente não escolhe.

Tá faltando um serviço de atendimento aos corações partidos. Quanta desconsideração. Tá faltando um fale conosco, um FAQ. Todo mundo sendo mal atendido, tá parecendo o SUS. Que puteiro!

E quando dá certo – o que é bem raro -, quando ela acerta por acaso e traz amor, todo mundo bate palmas. Fazem até festa e chamam de casamento, chamam pessoas para testemunhar que o sentimento pegou de jeito e que é pra sempre. Juntam-se as panelas, as escovas de dentes e os potes de plástico. Chamam até padre, juiz, pai de santo, rezadeira, pastor. E sabe pra quê? Pra tentar proteger da paixão que pode arrebatar de novo e arremessar tudo pro alto, pro lado de fora.