se é pra falar de amor.

Cadê o Marcinho, gente? Não sei por onde ele anda e talvez por isso ninguém esteja falando muito de amor. O coração de 2015 está prejudicado, deu para sentir a pancada no divórcio da Joelma e do Chimbinha, o casal mais maravilhoso do Pará. Agora, amor é só para quem já encontrou: quem amou, amou; quem não amou, não ama mais.

Para Joelma, do Calypso

Joelma, querida, seja bem-vinda à gaiola das loucas que não falam de amor, que não se apaixonam e não têm brilho nos olhos, nem frio na barriga. Quando raramente sentem algo assim, sanam com álcool ou qualquer outro entorpecente (Netflix, cappuccino, nutella, hotel spa ou trabalho).

Flores e crianças não são bem-vindas (sua filha já tá crescidinha, né?). Esse chocolate aí você pode levar de volta, porque elas estão todas de dieta. Só comem chocolate na TPM. Todas juntas. Pois seus úteros são inimigos mortais – mas todos falham na missão de reproduzir. E pode faltar água, nunca anticoncepcional e vontade de continuar sozinha e livre.

Jo, e se a gente encontrasse o Marcinho e pedisse para ele contar de onde vem a paixão, de onde vem a coragem para admiti-la e deixar se entregar? Ele deve saber onde que a gente joga fora esse medo de assumir. Será que a gente escapa dessa gaiola?

Em 2015, Elizabeth e Mr. Darcy não vão chorar na chuva até admitir o quanto se amam e querem deixar de lado qualquer empecilho que os separam. Mr. Darcy, cauteloso em seus pensamentos, demorará demais para responder o WhatsApp e, orgulhosa, Elizabeth nunca mais irá responder, estupefata com a ousadia das silenciosas setinhas azuis.

E agora, Joelma? Tu que cantava a Cumbia do Amor sucumbiu a 2015.
Marcinho, acode!

ok, eu tenho ciúmes.


Francesca Woodman | mirror mirror on the wall

Admito: fui olhar o facebook daquela menina que comentou uma coisa nada a ver na sua publicação. Na hora, as minhocas ciumentas na minha cabeça me disseram que vocês tinham códigos secretos – e, obviamente, eram amantes há longas datas. Eu, papel de boba – mas eu acho que elas mentiram.

Confesso: as minhas mãos criaram vida própria aquele dia que a sua melhor amiga tirou um pelinho da sua blusa. Até agora não sei como as minhas mãos conseguiram chegar antes da dela – o ciúme desafia as leis da física, é tipo mosca. Mas quem ela pensa que é para triscar seu peitoral lindo-maravilhoso?

Eu sou vaidosa e me arrumo só para mim mesma. Mas, tenho que dizer a verdade: aquele dia eu me atrasei pra chegar no bar porque eu sabia que aquelazinha estaria lá toda enfeitada – então, fui pegar um salto porque não queria ficar por baixo. É feio competir? Foi mais forte do que eu.

E se ter ciúme é pecado, pode condenar.

aproveita, menina.

Recentemente eu descobri a Jout Jout e deu até vontade de fazer vídeos também – depois de ver vários vídeos legais no canal dela, cheguei neste aqui que fala sobre o quanto nós mulherzinhas deixamos de fazer certas coisas por causa do julgamento alheio. Eu, que me acho até bem resolvida, me flagrei naquela situação boba de contar nos dedos o número de namorados, ficantes e peguetes – como se me importasse mesmo.

Lembrei que sei de cor com quantos caras eu transei, se me esforçar acho que conto quase todos os ficantes, peguetes, whatever – não sei como chamá-los sem achar estranhíssimo. Que coisa boba, né? Não o número, mas o fato de se importar se foram muitos ou poucos, porque eu recordo bem de ter dado uma “segurada” quando eu cheguei em um número x que eu achei “bom”, porque mais, seria demais.

Tenho um pouco de vergonha de ter me julgado e de não ter tido todo o desapego sobre essas questões antiquadas. Enquanto a gente tenta “segurar”, os meninos aceleram (espertinhos). E isso é desde a 8ª série, quando nos convenceram de toda essa ladainha porque ninguém queria se arriscar e se tornar a menina que “não é para casar”.

Sabe o que eu acho hoje? Se quiser, vai lá e faz. E se julgarem? Dá risada dessa perda de tempo. A vida é uma só e, na boa, nós nem somos tão significantes assim. Dois dias depois, ninguém lembra mais.

dois sopros, 4 suspiros.

Eles viviam numa casinha com uma árvore na sala e uma mesinha de jantar. Às vezes, as paredes cochichavam. O quarto tinha uma janela que sabia de todos os segredos. Ali, dormiram de conchinha desde que apareceu o primeiro fio branco na barba dele, numa noite de outono.

Não importava o quão quente e seco fosse o dia, o lugar tinha sempre um cheirinho meio úmido de perfume, cigarro e vinho derramado. A vida era branda em todas as suas realidades – mas só quando ele segurava sua mão.

Ele pescava e ela preparava o jantar. Antes de comer, dançavam uma música que tocava só para eles. Depois, fumavam e contavam as estrelas. Às vezes, saiam juntos para pescar, mas ficavam jogados na água. Esparramados.

Ela o amava, e amava principalmente o jeito que ele levava a vida exatamente para onde queria, mesmo quando parecia estar deixando passar.

Ela nem era tão bonita. Ele era bonito de corpo, alma, sorriso torto.

Ele gostava do jeito que ela levava a vida sempre com mãos firmes às rédeas. Ela gostava de como ele não precisava tomá-las.

À noite, ele apresentava para ela as criaturas fantásticas que habitam este plano mas que nem todo mundo consegue ver. Ela nunca veria sozinha.

Ela amava tanto aquele ritmo lento, contínuo, mais rápido, lento, muito rápido, lento e lento.

Dois sopros e 4 suspiros mais tarde, ela sumiu. Ele sumiu para sempre.

Lady lights a cigarette, puffs away and winter comes.

a vida e o merengue de morango.

Pint of Strawberries
Fotografia – Mr.TinDC

Eu só sei fazer risoto. Outro dia fiz uma carne facílima com molho de limão siciliano, mas nunca passa disso. Para a festa de réveillon decidi que faria um merengue de morango para os meus amigos – uma receita simples.

Uma semana antes da data, pesquisei umas receitas de liquidificador, mas lendo e conversando com meu namorado que entende muito mais de cozinha, decidi que seria melhor comprar uma batedeira, e comprei.

Dia 1
Um dia antes da festa, fui fazer o teste: comprei ingredientes, assisti ao vídeo com a receita que eu escolhi 258 vezes e comecei a seguir o modo de fazer sem piscar o olho. A receita diz o seguinte: faz a calda de açúcar, mistura com claras em neve e bate por 15 minutos – é só isso! Na primeira tentativa, a clara em neve não funfou ou eu errei o ponto da calda de açúcar. Na segunda tentativa, eu achei que tinha dado certo, guardei na geladeira, mas depois vi que o merengue começou a açucarar.

Acabaram-se os ovos e já era mais de meia noite.

Dia 2
Comprei uma bandeja de ovos grandona (acho que vem 24) e os morangos que ainda não tinha. Lá fui eu tentar de novo, e de novo algo deu errado com o meu merengue. Joguei a receita toda fora, já com os olhos marinados, digo, marejados. Enquanto isso, o pernil que meu namorado estava assando reluzia.

Ok. Começa tudo de novo, com cuidado redobrado.

Confere o ponto da calda na água gelada, para ter certeza que está em ponto de bala mole. Olha direitinho se a clara está mesmo em neve e – UFA! – finalmente deu certo! Mas, pera. Tem muito pouco. E faz mais duas receitas para completar o bowl de merengue (a segunda ficou meio mole, mas já era quase 20h, então, foi assim mesmo).

Ficou lindo e delicioso. Não sei por que raios não tirei uma foto dele pronto.

No dia 1 de janeiro, pensei na saga do meu merengue. Percebi que o principal motivo da minha impaciência para cozinhar é que seguir a receita nem sempre garante que tudo dará certo, existe tentativa e erro. Isso é muito óbvio, né? Para mim não era. Mas, em seguida, lembrei das minhas aulas de tecido acrobático e acho que cozinhar é um pouco parecido. Quando eu vou aprender um movimento novo, nem sempre consigo acertar de primeira, ou executar da melhor maneira, por isso, repito o movimento várias vezes até realmente aprendê-lo.

E assim são outras coisas na vida, certo?

Nem sempre a gente acerta a faculdade de primeira, ou lê um livro e entende tudo na primeira vez. A gente também erra no primeiro namorado – às vezes morre de arrependimento depois, mas, fazer o quê? Erramos nas primeiras vezes em que vamos fazer a sobrancelha em casa ou escolher uma casa. Mas, e daí? A gente muda, joga fora e recomeça.

E sabe qual é a nossa sorte? Enquanto houver vida, haverá mais ovos para começar a bater outra clara em neve.

chorei na porta do avião.

E foi como uma criança. Mas não uma criança tola, uma criança que chora com razão e não liga para o jeito com que as pessoas vão olhar. Simplesmente porque crianças têm o direito de chorar só por serem crianças.

Estava embarcando pela primeira vez com a minha cachorrinha na cabine do avião. Zeldinha já viajou algumas vezes no porão, mas eu estava cansada de vê-la ser despachada na esteira, por isso resolvi tentar um jeito diferente.

Comprei uma caixa de transporte bonita e confortável, apesar de muito pequena e quase apertada para ela. Como sempre, peguei atestado sanitário, paguei uma taxa de R$ 180 para o embarque, dei um calmante e andei em direção à sala de embarque.

Estava tudo bem até que Zelda ficou agitada e mordeu a tela da caixa. Como o material era muito fino, ela conseguiu rasgar e passar a cabeça por ele. Mas, depois ela se acalmou e eu consegui chegar até a porta do avião. Dei mais calmante com bifinho, já que a fila de passageiros estava chegando ao fim e Zeldinha não ficava quieta dentro da caixa.

Quando todo mundo entrou, ela ainda estava agitada e a chefe de cabine me alertou que ela não poderia entrar se a caixa de transporte estivesse aberta. Eu mostrei e disse que ela havia rasgado, mas não conseguiria sair por aquele buraquinho.

Não teve jeito. A moça começou a repetir umas 454874 vezes que, se houvesse um fiscal da Anvisa no avião, a TAM seria multada por transportar animais de maneira incorreta e ela não poderia permitir pois era a pessoa responsável.

Eu desabei. Chorei como uma criança com uma mochila nas costas e cachorrinho na mão. Por sorte, Zelda deve ter entendido a situação e virou de costas para o furo e dormiu ali mesmo.

Antes que não houvesse mais nenhuma esperança, um funcionário saiu me dizendo que ia providenciar algo para lacrar. Enquanto ele foi buscar uns plásticos que não sei o nome, essa chefe de cabine e outra aeromoça repetiam o que eu já tinha entendido mais umas 666 vezes. Eu pedi apenas que aguardassem o rapaz que iria me ajudar.

E foi o que ele fez. Trouxe dois lacres de plástico que servem para fechar coisas, não sei como chama, por isso tirei uma foto [clica aqui].

Na hora que entramos no avião, houve uma mini comoção. Uma senhora olhou para mim e disse: “Graças a Deus! Minha filha, eu estava aqui rezando por você!”

Eu sentei e fiquei com a caixa no meu colo, como havia sido orientada por um funcionário da TAM anteriormente. Mas, outra aeromoça veio reclamar. Eu disse que havia sido orientada assim, ela ainda tentou bater boca, acredita? Nesse momento, eu já estava com vontade de mandar para o raio que o parta qualquer pessoa que falasse qualquer coisa. Que mulher infeliz, me viu super mal e ainda veio falar merda em tom de ‘bronca’, sabe?

A minha mochila foi colocada em algum lugar e o avião levantou o voo mais tenso da minha vida. Sem fones, sem livro, sem computador, passei 2 horas e 45 minutos me sentindo a pessoa mais inconveniente do mundo, morrendo de medo de Zeldinha tentar sair novamente e chorando: por constrangimento, por não ter evitado/ previsto isso…

Pensei um monte.

Acho correto a TAM ser super responsável e exigente em relação às normas. Só fiquei chateada porque esperava um atendimento atencioso, esperava que as pessoas fossem doces quando eu chorava, mesmo que elas realmente não me deixassem embarcar. Foi aí que me dei conta: é só um meio de transporte, não é parte de uma viagem.

Passou. Mas, é claro, estou morrendo de medo de como será a volta de Zelda pra São Paulo.

do lado de lá.

Take a moment for yourself.

Você se pega imaginando um monte de coisas bobas, como: “qual será cor da parede do nosso quarto (sim, um casamento fictício)?” Ou em como você vai lidar com a toalha molhada em cima da cama, ou com as cuecas que ele deixa no banheiro. Um sorriso bobo denuncia que você acredita que não haverá brigas, pois encontrará um príncipe encantado que saberá rir de si mesmo e que vai pedir desculpas com jeitinho. Ou que vai apontar para o seu sutiã atrás da porta e tudo será graça, flores e amor por cima das roupas sujas.

A vida real não é tão doce. Por isso é uma delícia imaginar.

Mas, mudando de lado. Já pensou se existe alguém pensando essas coisas com você? Pode ter alguém idealizando um domingo a dois, na cozinha, mesmo sabendo (ou só achando) que você só sabe fazer uma tortinha de limão. Talvez exista uma pessoa se perguntando se você vai deixar suas maquiagens bagunçadas no banheiro, ou se é do tipo organizadinha. Não descarte a possibilidade: pode haver alguém que se imagina negociando o bairro em que morariam juntos. Quem sabe não existe um cara que te olha no whatsapp e fecha com vergonha de falar qualquer besteira, porque sonha com vocês juntinhos?

Já pensou nisso?