ok, eu tenho ciúmes.


Francesca Woodman | mirror mirror on the wall

Admito: fui olhar o facebook daquela menina que comentou uma coisa nada a ver na sua publicação. Na hora, as minhocas ciumentas na minha cabeça me disseram que vocês tinham códigos secretos – e, obviamente, eram amantes há longas datas. Eu, papel de boba – mas eu acho que elas mentiram.

Confesso: as minhas mãos criaram vida própria aquele dia que a sua melhor amiga tirou um pelinho da sua blusa. Até agora não sei como as minhas mãos conseguiram chegar antes da dela – o ciúme desafia as leis da física, é tipo mosca. Mas quem ela pensa que é para triscar seu peitoral lindo-maravilhoso?

Eu sou vaidosa e me arrumo só para mim mesma. Mas, tenho que dizer a verdade: aquele dia eu me atrasei pra chegar no bar porque eu sabia que aquelazinha estaria lá toda enfeitada – então, fui pegar um salto porque não queria ficar por baixo. É feio competir? Foi mais forte do que eu.

E se ter ciúme é pecado, pode condenar.

a gente faz as pazes todos os dias.

Não é porque a gente briga todo dia (acabei de lembrar que você disse que ligaria quando chegasse em casa e não ligou), é porque a gente não quer mais envenenar o relacionamento com bobagem.

Outro dia ele ficou chateado porque eu dormi o dia inteirinho e aquele sábado era o dia que a gente tinha para ficar junto. Em outros tempos eu teria respondido que ele é um chato que não entende que eu estava super cansada. Mas, desde que a gente decidiu por fazer as pazes todos os dias, a resposta mudou e, como ainda eram 19h, eu prometi naquele momento que faria as últimas horas do dia valer a pena <3 e tudo ficou bem de novo.

Foi aí que eu percebi que se você não tem atitudes pacíficas (na maior parte do tempo) tudo vai por água abaixo e o relacionamento começa a ser destrutivo para os dois por um questão de ponto de vista, impaciência e falta de colaboração – coisas inexistentes no começo do namoro, quando os coraçõezinhos estão transbordando das nossas têmporas.

É por isso que para manter o relacionamento saudável, é bom que se faça sempre as pazes, que a paciência nunca falte, porque na hora que realmente precisar armar um barraco, a gente não corre o risco de ser mal interpretada (TPM, piti, tempestade num copo d’água) e muito provavelmente será ouvida – e isso vale para os dois lados. Porque mimimi só atrapalha.

dois sopros, 4 suspiros.

Eles viviam numa casinha com uma árvore na sala e uma mesinha de jantar. Às vezes, as paredes cochichavam. O quarto tinha uma janela que sabia de todos os segredos. Ali, dormiram de conchinha desde que apareceu o primeiro fio branco na barba dele, numa noite de outono.

Não importava o quão quente e seco fosse o dia, o lugar tinha sempre um cheirinho meio úmido de perfume, cigarro e vinho derramado. A vida era branda em todas as suas realidades – mas só quando ele segurava sua mão.

Ele pescava e ela preparava o jantar. Antes de comer, dançavam uma música que tocava só para eles. Depois, fumavam e contavam as estrelas. Às vezes, saiam juntos para pescar, mas ficavam jogados na água. Esparramados.

Ela o amava, e amava principalmente o jeito que ele levava a vida exatamente para onde queria, mesmo quando parecia estar deixando passar.

Ela nem era tão bonita. Ele era bonito de corpo, alma, sorriso torto.

Ele gostava do jeito que ela levava a vida sempre com mãos firmes às rédeas. Ela gostava de como ele não precisava tomá-las.

À noite, ele apresentava para ela as criaturas fantásticas que habitam este plano mas que nem todo mundo consegue ver. Ela nunca veria sozinha.

Ela amava tanto aquele ritmo lento, contínuo, mais rápido, lento, muito rápido, lento e lento.

Dois sopros e 4 suspiros mais tarde, ela sumiu. Ele sumiu para sempre.

Lady lights a cigarette, puffs away and winter comes.

dia da gazela.

Mindfulness | via Tumblr

Não dá pra negar quando o sentimento pega. Tem sempre uma força maligna que agarra, magnetiza para baixo, faz se expor e coloca nas últimas porque apela sem dó. Principalmente quando sente que já perdeu. E faz alarde para chamar atenção. Buzina no pé do coração amado, mesmo que a este faltem os cotonetes ou apenas se faça de surdo.

Liga o foda-se. Convence a si mesmo de que já tem o não e corre atrás feito leopardo. Mas hoje é o dia da gazela.

É por isso que implico com essa história de paixão. É insensata, essa vadia. Aparece quando quer, vai embora sem dar explicações. Sai borrifando despudoradamente essa vontade que dá, vontade sempre de alguém que a gente não escolhe.

Tá faltando um serviço de atendimento aos corações partidos. Quanta desconsideração. Tá faltando um fale conosco, um FAQ. Todo mundo sendo mal atendido, tá parecendo o SUS. Que puteiro!

E quando dá certo – o que é bem raro -, quando ela acerta por acaso e traz amor, todo mundo bate palmas. Fazem até festa e chamam de casamento, chamam pessoas para testemunhar que o sentimento pegou de jeito e que é pra sempre. Juntam-se as panelas, as escovas de dentes e os potes de plástico. Chamam até padre, juiz, pai de santo, rezadeira, pastor. E sabe pra quê? Pra tentar proteger da paixão que pode arrebatar de novo e arremessar tudo pro alto, pro lado de fora.

qual o nome do livro?

21:24. Assim que ela colocou o sachê de chá de maçã dentro da caneca, o interfone tocou. Atendeu ainda de olho no relógio, para não passar dos cinco minutos de infusão. Era o porteiro, perguntando se alguém havia avisado que tinha uma encomenda para ela. “Finalmente o vestido que comprei da China chegou!”, pensou entusiasmada.

21:25. Entrou no quarto e trocou a camisola pelo primeiro vestido que viu na frente, catou um cardigã, pegou Zelda (a Schnauzer), calçou as havaianas e atravessou a porta. Olhou para o celular de novo: 21:29. Voltou e tirou o sachê da caneca.

21:30. Chamou o elevador com Zelda no colo. Estava parado no 12º. Pensou em descer as escadas. Não. Esperou.

21:32. O porteiro estava risonho, ela achou que era a novela. “Boa noite, Seu Charles, o que foi que chegou?”, foi logo perguntando com o vestido que nem lembrava mais o modelo em mente. Seu Charles entregou um embrulho de presente, provavelmente um livro. “Tem certeza que é para mim?”, perguntou sem entender nada.

21:33. Havia alguém no corredor do prédio. Haha. Era o Max, com aquela cara de quem adora aprontar, com um sorriso que dizia que precisa revê-la e um olhar de foda-se-o-fato-de-que-você-pode-me-achar-um-idiota-por-isso. Ela olhou de volta e abriu um sorriso do tipo não-se-faz-mais-homens-como-você. “Não acredito, Max!”, disse sem acreditar mesmo.

21:34. Seu Charles, o cúmplice, piscou para o Max quando eles passaram em sentido ao elevador.

21:35. Subiram juntos. Ouviram algumas músicas. Fingiram que iam assistir um episódio de House of Cards. Dormiram de conchinha.

3:57. “Melhor você terminar de dormir na sua casa”, ela cochichou desejando que ele insistisse em ficar até amanhecer. Zelda levantou as orelhas e viu Max sair com seu sorriso de arrisquei-e-valeu-a-pena.

7:30. O despertador toca. Alice levanta, vai até a cozinha e derrama o chá de maçã na pia. E foi bom assim.

era assim tão lindo.

Estávamos deitados no sofá prestando mais ou menos atenção ao nosso filme preferido. E como eu adoro deitar por cima. É que o seu corpo tem espaço suficiente para mim. Fico esparramada, um pedaço enorme de homem para amar – e tenho amor de sobra.

E quando eu deito no seu peito, ouço todos os seus sentimentos em meio ao emaranhado do meu cabelo liso e meio desgovernado. Mas você tira ele dos meus olhos e diz como me acha linda de um jeito que só você me invade. Não resisto: viro manteiga derretida nesses braços tatuados. Você sabe como me ter até sem dizer uma palavra.

É esse olhar, é esse apego, é uma entrega indescritível em atitudes ou palavras. Só a gente que sente. E só a gente entende.

Depois você me pega, desvia a selva de cabelos escorridos pelos nossos rostos, puxa de leve. Depois morde, bagunça, arrepia. Sussurra um tempero apimentado pelos meus ouvidos.

Eu tatuaria meu corpo inteiro para registrar este momento.

romance framboesa.

[antes de seguir, clica aqui]

Café preto. Sem açúcar.

Dois ovos fritos. Quatro fatias de pão.

Go!
Well, it’s 1, 2, 3
Take my hand and come with me
Because you look so fine
That I really wanna make you mine
I say you look so fine
And I really wanna make you mine
(tocando de fundo, meio intrometida)

O camembert que ele trouxe da padaria. Geleia de framboesa. Os dois misturados tinham o gostinho da alegria de levantar mais cedo no domingo para comprar coisas para o café da manhã. Mesmo que este só aconteça depois das duas da tarde.

Oh, 4, 5, 6 c’mon and get your kicks
Now you don’t need that money
When you look like that, do ya, honey
(voz feminina misturando)

Ele levanta da mesa para pegar mais uma faca. O camembert fica ótimo com framboesa, mas não dá para cortar com essa faquinha de passar geleia.

Big black boots,
Long brown hair,
She’s so sweet
With her get-back stare

Well I could take you home with me,
But you were with another man, yeah!
I know we ain’t got much to say
Before I let you get away, yeah!
I said, are you gonna be my girl?
(voz feminina misturando de novo)

– Tem leite condensado na geladeira, quer que eu pegue para você?

– Ela diz que não. Que está bom assim.

I could see
You home with me,
But you were with another man, yeah!
I know we ain’t got much to say
Before I let you get away, yeah!
Be my girl
Be my girl
Are you gonna be my girl?
Yeah
(vozes se misturando)

Os olhos se cruzam com sorrisos. Ele repete: – Are you gonna be my girl?