ok, eu tenho ciúmes.


Francesca Woodman | mirror mirror on the wall

Admito: fui olhar o facebook daquela menina que comentou uma coisa nada a ver na sua publicação. Na hora, as minhocas ciumentas na minha cabeça me disseram que vocês tinham códigos secretos – e, obviamente, eram amantes há longas datas. Eu, papel de boba – mas eu acho que elas mentiram.

Confesso: as minhas mãos criaram vida própria aquele dia que a sua melhor amiga tirou um pelinho da sua blusa. Até agora não sei como as minhas mãos conseguiram chegar antes da dela – o ciúme desafia as leis da física, é tipo mosca. Mas quem ela pensa que é para triscar seu peitoral lindo-maravilhoso?

Eu sou vaidosa e me arrumo só para mim mesma. Mas, tenho que dizer a verdade: aquele dia eu me atrasei pra chegar no bar porque eu sabia que aquelazinha estaria lá toda enfeitada – então, fui pegar um salto porque não queria ficar por baixo. É feio competir? Foi mais forte do que eu.

E se ter ciúme é pecado, pode condenar.

aproveita, menina.

Recentemente eu descobri a Jout Jout e deu até vontade de fazer vídeos também – depois de ver vários vídeos legais no canal dela, cheguei neste aqui que fala sobre o quanto nós mulherzinhas deixamos de fazer certas coisas por causa do julgamento alheio. Eu, que me acho até bem resolvida, me flagrei naquela situação boba de contar nos dedos o número de namorados, ficantes e peguetes – como se me importasse mesmo.

Lembrei que sei de cor com quantos caras eu transei, se me esforçar acho que conto quase todos os ficantes, peguetes, whatever – não sei como chamá-los sem achar estranhíssimo. Que coisa boba, né? Não o número, mas o fato de se importar se foram muitos ou poucos, porque eu recordo bem de ter dado uma “segurada” quando eu cheguei em um número x que eu achei “bom”, porque mais, seria demais.

Tenho um pouco de vergonha de ter me julgado e de não ter tido todo o desapego sobre essas questões antiquadas. Enquanto a gente tenta “segurar”, os meninos aceleram (espertinhos). E isso é desde a 8ª série, quando nos convenceram de toda essa ladainha porque ninguém queria se arriscar e se tornar a menina que “não é para casar”.

Sabe o que eu acho hoje? Se quiser, vai lá e faz. E se julgarem? Dá risada dessa perda de tempo. A vida é uma só e, na boa, nós nem somos tão significantes assim. Dois dias depois, ninguém lembra mais.

a gente faz as pazes todos os dias.

Não é porque a gente briga todo dia (acabei de lembrar que você disse que ligaria quando chegasse em casa e não ligou), é porque a gente não quer mais envenenar o relacionamento com bobagem.

Outro dia ele ficou chateado porque eu dormi o dia inteirinho e aquele sábado era o dia que a gente tinha para ficar junto. Em outros tempos eu teria respondido que ele é um chato que não entende que eu estava super cansada. Mas, desde que a gente decidiu por fazer as pazes todos os dias, a resposta mudou e, como ainda eram 19h, eu prometi naquele momento que faria as últimas horas do dia valer a pena <3 e tudo ficou bem de novo.

Foi aí que eu percebi que se você não tem atitudes pacíficas (na maior parte do tempo) tudo vai por água abaixo e o relacionamento começa a ser destrutivo para os dois por um questão de ponto de vista, impaciência e falta de colaboração – coisas inexistentes no começo do namoro, quando os coraçõezinhos estão transbordando das nossas têmporas.

É por isso que para manter o relacionamento saudável, é bom que se faça sempre as pazes, que a paciência nunca falte, porque na hora que realmente precisar armar um barraco, a gente não corre o risco de ser mal interpretada (TPM, piti, tempestade num copo d’água) e muito provavelmente será ouvida – e isso vale para os dois lados. Porque mimimi só atrapalha.

feliz aniversário, atrasado.

sunrise

No dia 30 de janeiro completei 27 anos, temidíssimos 27 anos. Acho que essa é a primeira idade em toda a minha vida que teve algum peso. Quando eu tinha uns 11 anos, achava que aos 15 tudo seria possível. Aos 15, descobri que ainda não poderia fazer quase nada do que eu queria (ir a todas as festinhas, por exemplo). Quando fiz 18, rolou aquele “uhuu, posso ser presa” bem bobo que sempre rola, mas não parecia que muita coisa tinha mudado. E talvez não tivesse mesmo.

Desde o meio do ano passado estou numa preparação para esses 27 anos – é como se a idade viesse com várias cobranças, ou como se “caísse a ficha” em forma de perguntas: o que eu tenho feito de bom desta vida? O que estou acumulando (de bom e de ruim)? O que estou deixando passar? E por aí segue…

“Calma, Tássia, idade é uma coisa idiota”. Eu sei.

Mas sabe o que é?
Parece que agora, depois das coisas que vivi, consigo finalmente enxergar a minha vida e o mundo com uma maturidade que gostaria de ter tido aos 18, mas que seria impossível, obviamente. E aí, me dá uma vontade imensa de sair refazendo algumas coisas, reparando o que não foi feito ou que estava desajustado: a carreira, os hábitos, a forma de enxergar a vida, a maneira como lido com certos assuntos e até com pessoas.

Você já sentiu isso?
É uma vontade maluca de viver e reviver para ir amarrando uns pontos que ficaram meio soltos e acrescentar outros que estavam faltando. Porque a vida pode ser remendada de vez em quando, certo?

E o que eu tenho feito?

A minha carreira profissional é uma coisa que tem bastante importância para mim. Claro, eu trabalho (trabalhava, estou desempregada) porque preciso de dinheiro e a remuneração é algo que importa bastante. Mas, não é só isso. Desde o ano passado tenho repensado o que quero fazer e até larguei meu antigo emprego para pensar um pouco (e aproveitar para tocar o Santo e o 4dogs). Agora, consigo ver com mais clareza quais são os passos que devo dar para seguir construindo o meu ofício e o que sou.

Também tenho cuidado com mais carinho de mim mesma, tentando me alimentar de coisas positivas (não só saudáveis). Isto é, ter uma dieta saudável sim, mas se permitir nutella sem culpa durante a TPM ou tomar uma coca-cola quando for comer pizza (é só não comer pizza todo santo domingo!); tinha pensando em desistir do tecido acrobático (pois muito caro), mas resolvi continuar e passei a fazer pilates para tentar melhorar meu problema no joelho (condromalácia patelar); estou aprendendo a gostar mais de cuidar da minha casinha com a ajuda de seriados enquanto lavo louça, por exemplo; e até estou tentando trabalhar melhor o meu estilo com a ajuda do livro da Cris e da Rê, da Oficina de Estilo!

Lapidar dá trabalho, mas acho que daqui pros 30, vou gostar muito mais de mim mesma. Não que eu não goste agora, mas acredito que tem muita coisa que pode melhorada. E feliz 27 anos para mim, agora que sinto que finalmente as coisas realmente mudaram com o tempo.

Fotografia: Ed Yourdon

de Julie para mim.

Há pelo menos uns dois anos eu comecei a ler Julie & Julia, de Julie Powell, por recomendação de um grupo de leitura do Facebook (saudades, Clube do Livro). No livro, Julie Powell conta tudo sobre o seu projeto de fazer todas as 524 receitas do livro “Mastering the Art of French Cooking”, de Julia Child, em 365 dias.  Com a desculpa de que não conseguia terminar de ler um epub no celular, acabei abandonando a leitura. Até fiquei de comprar o livro para retomar, mas acabei não fazendo isso. E a história ficou para lá.

Ainda não li o livro, mas pretendo lê-lo em breve: fui à livraria tentar comprar um exemplar, mas só entregariam em 10 semanas, portanto, vai ser aquele mesmo epub que eu tinha, desta vez no kobo, não no celular.

Dia desses, “zapeando” no Netflix, me deparei com o filme e, finalmente, conheci a história. O filme conta um pouco da vida de Julie Powell e do seu projeto que é relatado num blog (o original não existe mais) e, paralelamente, a vida de Julia Child (interpretada maravilhosamente pela Meryl Streep), desde quando aprendeu a cozinhar profissionalmente no Le Cordon Bleu, em Paris, passando pelas dificuldades de escrever e publicar seu primeiro livro (o mesmo do projeto de Julie) até o momento em que surge a ideia de se tornar uma apresentadora de TV.

Entre uma receita maravilhosa e outra, o que mais me tocou nesta história foi a atitude de Julie diante do projeto. Ela relatou em um blog todos os seus altos e baixos, do dia em que não conseguir acertar a Aspic (espécie de gelatina de carne), passando pelas brigas que teve com o marido por causa do blog, pelo dia em que matou lagostas e também pela alegria de conseguir desossar um pato.

Há pelo menos um ano comecei uma preparação para os trinta anos que se aproximam – vou fazer 27 em janeiro, mas eu sou ansiosa. Esse preparo não é nada muito organizado, na verdade, é uma pilha de coisas que borbulham na minha cabeça e que, entre outras coisas, é uma vontade enorme de ter um projeto de vida, algo grande que eu me orgulhe de ter feito.

E foi por isso que me identifiquei absurdamente com a história. Claro que eu também quis muito aprender a cozinhar – sou uma admiradora das pessoas que tem esse dom maravilhoso; também senti uma vontade de morar em Paris tão forte quanto a que Julia demonstra ter e não consigo me esquecer do momento em que ela diz que prefere mil vezes comprar comidas a roupas em Paris (que é cheia de vendas e mini mercados com produtos frescos), pois lá há pouquíssimas que cabem nela (Julia Child era um mulherão, alta e forte).

A frase preferida de Julia Child <3

O projeto J&J me levou a pensar nos meus projetos e, principalmente, nos projetos engavetados que tenho, nas minhas vontades que estão à sombra e nos sonhos que mal ousam se transformar em palavras, para se manterem no nível de sonho – e não mais um desejo que murcha em um jardim sem água.

Falando assim, parece que sou a pessoa menos realizadora do mundo. Não sou. Já fiz muitas coisas que gostaria de fazer: viagens, mudanças, aquisições etc. Porém, ainda falta, ainda tem coisa que precisa se concretizar. Antes mesmo de ter um ano novo para aquecer as esperanças, eu forcei a barra e assumo: não deu exatamente certo largar o emprego para tocar meus projetos pessoais, mas deu para pensar um monte na vida, na rotina, no que eu quero desta vida. E sabe de uma, acredito que não há respostas objetivas.

Ainda me sinto como Julie antes de iniciar o projeto: louca para descobrir algo maravilhoso que traga um sentido para o dia a dia e para os trinta anos que estão chegando. A ideia ainda não veio, mas a inspiração e força de vontade, com certeza já sei onde achar.

E isso não vai ficar para lá.

dia da gazela.

Mindfulness | via Tumblr

Não dá pra negar quando o sentimento pega. Tem sempre uma força maligna que agarra, magnetiza para baixo, faz se expor e coloca nas últimas porque apela sem dó. Principalmente quando sente que já perdeu. E faz alarde para chamar atenção. Buzina no pé do coração amado, mesmo que a este faltem os cotonetes ou apenas se faça de surdo.

Liga o foda-se. Convence a si mesmo de que já tem o não e corre atrás feito leopardo. Mas hoje é o dia da gazela.

É por isso que implico com essa história de paixão. É insensata, essa vadia. Aparece quando quer, vai embora sem dar explicações. Sai borrifando despudoradamente essa vontade que dá, vontade sempre de alguém que a gente não escolhe.

Tá faltando um serviço de atendimento aos corações partidos. Quanta desconsideração. Tá faltando um fale conosco, um FAQ. Todo mundo sendo mal atendido, tá parecendo o SUS. Que puteiro!

E quando dá certo – o que é bem raro -, quando ela acerta por acaso e traz amor, todo mundo bate palmas. Fazem até festa e chamam de casamento, chamam pessoas para testemunhar que o sentimento pegou de jeito e que é pra sempre. Juntam-se as panelas, as escovas de dentes e os potes de plástico. Chamam até padre, juiz, pai de santo, rezadeira, pastor. E sabe pra quê? Pra tentar proteger da paixão que pode arrebatar de novo e arremessar tudo pro alto, pro lado de fora.

qual o nome do livro?

21:24. Assim que ela colocou o sachê de chá de maçã dentro da caneca, o interfone tocou. Atendeu ainda de olho no relógio, para não passar dos cinco minutos de infusão. Era o porteiro, perguntando se alguém havia avisado que tinha uma encomenda para ela. “Finalmente o vestido que comprei da China chegou!”, pensou entusiasmada.

21:25. Entrou no quarto e trocou a camisola pelo primeiro vestido que viu na frente, catou um cardigã, pegou Zelda (a Schnauzer), calçou as havaianas e atravessou a porta. Olhou para o celular de novo: 21:29. Voltou e tirou o sachê da caneca.

21:30. Chamou o elevador com Zelda no colo. Estava parado no 12º. Pensou em descer as escadas. Não. Esperou.

21:32. O porteiro estava risonho, ela achou que era a novela. “Boa noite, Seu Charles, o que foi que chegou?”, foi logo perguntando com o vestido que nem lembrava mais o modelo em mente. Seu Charles entregou um embrulho de presente, provavelmente um livro. “Tem certeza que é para mim?”, perguntou sem entender nada.

21:33. Havia alguém no corredor do prédio. Haha. Era o Max, com aquela cara de quem adora aprontar, com um sorriso que dizia que precisa revê-la e um olhar de foda-se-o-fato-de-que-você-pode-me-achar-um-idiota-por-isso. Ela olhou de volta e abriu um sorriso do tipo não-se-faz-mais-homens-como-você. “Não acredito, Max!”, disse sem acreditar mesmo.

21:34. Seu Charles, o cúmplice, piscou para o Max quando eles passaram em sentido ao elevador.

21:35. Subiram juntos. Ouviram algumas músicas. Fingiram que iam assistir um episódio de House of Cards. Dormiram de conchinha.

3:57. “Melhor você terminar de dormir na sua casa”, ela cochichou desejando que ele insistisse em ficar até amanhecer. Zelda levantou as orelhas e viu Max sair com seu sorriso de arrisquei-e-valeu-a-pena.

7:30. O despertador toca. Alice levanta, vai até a cozinha e derrama o chá de maçã na pia. E foi bom assim.