aula de surf.

Foi o lado bom do infortúnio.

O infortúnio foi ser assaltada na sexta-feira, a caminho de um bloco de carnaval.

Eu tenho mania de procurar um lado bom em qualquer coisa ruim que acontece na minha vida. Nunca procuro nada de bom nas coisas boas, sou até uma pessoa pouco deslumbrada. Esta foi a primeira vez que uma coisa positiva me fez pensar no que as boas venturas podem trazer.

Estava procurando recompensar.

Não tenho nenhum amigo que surfe, mas já tinha dito aqui que eu gostaria de aprender a surfar. Até conheço algumas pessoas que surfam, mas ninguém que eu pudesse escalar de verdade para me ensinar. Mas, depois de um infortúnio, nada como fazer algo coisa muito legal para recompensar. Afinal, fiquei arrasada, chorei like a child por motivos de: o cara estava armado, fiquei muito nervosa e eu não queria entregar meu iphone.

Já tinha combinado com o meu namorado de irmos para a praia, mas, obviamente, não estávamos encontrando nenhuma pousada com vaga. Até que uma indicação caiu do céu: um lugar baratinho na orla de Maracaípe com um quarto disponível. E lá fomos nós. Ao lado da pousada, tinha sorveteria e o rapaz que estava atendendo nos mostrou uns pacotes de turismo com com passeios, trilhas e aulas de surfe. Não pensei duas vezes e marquei para o dia seguinte, às 9h da segunda-feira (11), que era a melhor hora de acordo com a tábua de marés.

Talvez, se não estivesse chateada, não iria em frente com a ideia de fazer uma coisa que eu sempre tive vontade. E, então, percebi que tenho a mania de titubear diante de coisas que eu sinto vontade e que podem me trazer felicidade. E como deixo que essas coisas legais sejam sempre apenas recompensas para os infortúnios da vida. É como se sempre precisasse de um motivo ou uma justificativa para merecer. Está errado: vale recompensar, mas as coisas boas devem vir independente dos acontecimentos azarados.

Declaro que não vou mais titubear diante das oportunidades de fazer coisas incríveis, e vou inclusive fazer uma lista das coisas que eu adoraria fazer.

Ainda digo mais: adorei surfar, não foi difícil (apesar de que estou meio dolorida), consegui ficar em pé na prancha todas as vezes (menos na primeira) e pretendo comprar uma prancha e dar continuidade.

Estou pensando nas coisas que quero muito fazer. O primeiro item será voar de balão!

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retrospectiva pensativa.

Eu digo para todo mundo que os meus anos de sorte são os anos ímpares. O único impasse é que eu perdi o homem que eu mais amei até hoje no ano de 2009 – isso me faz pensar que a morte não deve ser ruim, tanto para quem se vai como para quem fica. O homem era o meu pai e, putz, que pai foda que eu tive.

De 2009 para cá, o amadurecimento arrombou a minha porta. Saí de casa de novo (já tinha ido e voltado de casa de 2006 para 2007) e comecei a sentir que o buraco era realmente mais embaixo. Em 2010, minha vida deu outro looping e agora ameaça outra volta só para me deixar morrendo de ansiedade. Pena que ainda não é a hora de falar disso. Já 2010 foi um ano pesadão cheio de mudanças intensas e finais tristes.

2011 foi ameno e doce: namorado lindo-maravilhoso, emprego legal, apê novo. Parece que tudo caiu do céu e me deixou mal acostumada. Talvez por isso eu tenha reclamado tanto deste ano.

Não foi fácil a vida neste ano de 2012, mas, como recompensa, o ano terminou com conquistas enraizadas e acontecimentos que nunca vou esquecer: o namoro se firmou de vez, comecei a praticar um esporte que vou levar para a vida toda (conheci em 2011, mas comecei em 2012), fiz amizades que já sinto que são comadres e compadres, fui contratada, conheci o Rio de Janeiro, me formei em jornalismo, vi minha amigona casar e adotei uma filhota que já é parte da minha vida (minha Schnauzer, Zelda).

Não vou mais dizer que 2012 foi um ano de azar. Não foi. Foi um ano difícil, hardcore. Eu ralei, chorei um bocado, me perguntei mil coisas, tive 738 crises emocionais, quis desistir de 25 coisas e dormi pouco. Talvez se eu tivesse o costume de ser mais esforçada 2012 tivesse sido mais tranquilo. Acho que é daí que vem a maior lição para os próximos anos: ser mais esforçada. E espero que em 2013 eu aprenda qual é o limite que separa o momento de fazer esforço e o de deixar para lá.

E a lição secundária para 2013 é sobre disciplina, de novo. Mas, agora eu pretendo forçar a barra, porque eu estou sentido cada vez mais necessidade (alô, Amanda). Para recomeçar, Confidencial, de Costanza Pascolato já está de volta à minha cabeceira me inspirando mais uma vez. Dedos cruzados e pensamento positivo para que o universo conspire a favor, vamos lá!

Imagem weheartit.com

bombástico.

A vida não é feita só das pequenas coisas que a gente constrói dia após dia. A vida é também feita de acontecimento bombásticos, é bom lembrar. Recentemente, aconteceu um evento que provavelmente será considerado um dos maiores da minha vida: a apresentação do TCC. Foi na última quinta-feira, dia 13 de dezembro. Era só mais um dia muito quente de dezembro. Mentira, não era.

Eu fingi não dar muita importância porque eu esperava de mim algum trabalho mais feroz, mais animado, mais inovador, mais corajoso. Não foi uma coisa que me deu muito tesão. Mas, foda-se, né? Quem manda ser desleixada e deixar para pensar o tema na última hora? Apesar do 9,5 na monografia sobre o meme overly attached girlfriend, eu não sai me sentindo orgulhosa, só aliviada.

Graduação é uma coisa que te prende de certa forma. Eu conheço as possibilidades de uma transferência, mas quem quer terminar um curso, sabe que transferência quase rima com detença, que significa delonga. E aí que chegou o grande momento de finalmente concluir uma etapa, fechar algo, ainda que sem uma chave de ouro.

Minutos depois do ‘livramento’ é difícil perceber o seu significado. Mas, as horas vão se passando e uma nova sensação começa a preencher o espaço que antes era ocupado pela ansiedade do fim. Sinto cheiro de novidades, de mais curiosidade, de novas ambições e de que é preciso muito reflexão para seguir a jornada.

quando o sacrifício é válido.

Não tem jeito, mesmo sabendo o quanto certas atitudes nos fazem bem, ainda temos muita preguiça. Me refiro a coisas como o clichê exercícios físicos, cumprimento de horários e outras tarefas que exigem disciplina. Para cada uma dessas, cada pessoa tem um repertório incrivelmente convincente de boas desculpas. Por isso, acho que está na hora de desenterrar motivos ainda mais fortes para sair da inércia. Nunca ouvi falar de um ser humano que não tenha consciência de que exercícios fazem bem à saúde mas, quando é chegada a hora trágica de calçar o tênis, aparece o dobro de trabalho, doenças, compromissos, falta de grana e uma lista infinita de motivos que convencem qualquer um a ficar parado, e mais ainda aos preguiçosos.

Daqui a um ano você vai desejar ter começado hoje

Tenho uma relação de amor e ódio com essa frase. Como ela dói e como ela anima. Ela me faz pensar em como é triste olhar no espelho e pensar “eu não deveria ter esquecido de passar aquele creme antes de dormir”, ou “poderia ter acordado um pouco mais cedo para estudar francês de manhã”, ou ainda “deveria ter lido o livro que a professora passou quando cheguei da faculdade”. A vida da gente, muito provavelmente, é construída por pequenas peças, e as peças que a gente acrescenta ou deixa de acrescentar, influeciam na vida que levamos e no que somos. É bem assim.

Por isso, além de ter sempre a frase ali de cima em mente (apesar do tom desagradável de um “eu avisei”),  é bom lembrar de que encarar a decepção causada pela inércia é bem pior do que a preguiça de se mexer, isto é, a moleza não compensa. E para a sorte dos disciplinados, geralmente, o esforço é compensado com uma dose extra de alegria que extrapola a benfeitoria realizada. Quer um exemplo cru? O que dói mais, levantar cedo para uma caminhada ou não entrar no vestido sábado à noite? Fritar o cérebro para um trabalho ou ter um feedback negativo? Chegar em casa tarde por causa de um curso ou perder uma bolsa de estudos porque não sabe falar outra língua? E que tal experimentar a delícia de ver as coisas dando certo? Hummm… sinto cheiro de alfajor!

Isso é pra mim. Mas eu espero que toque quem precisa desse “empurraozinho”.

o enigma da lagarta.


Alice e a Lagarta

Tem gente que não consegue parar de se sabotar. Acredito que o motivo disso é falta de  vergonha na cara limites. Ou melhor, de respeitar os próprios limites. Gente que não pensa antes de abrir a boca, também acaba sendo vítima de si mesmo. Antes de xingar tudo e todos ou se conformar com a vida ruim baseando-se em todos os ciclos astrológicos que parecem conspirar contra, é melhor repensar.

A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Por fim, a Lagarta tirou o cachimbo da boca e dirigiu-se a Alice com voz lânguida e sonolenta: “Quem é você?”. Não era um começo de conversa encorajador. Alice respondeu muito tímida: “Eu… já nem sei, minha senhora, nesse momento… Bem, eu sei quem eu era quando acordei esta manhã, mas acho que mudei tantas vezes desde então…”
“O que você quer dizer com isto?” perguntou a Lagarta com rispidez. “Explique-se melhor!”

Não sou fã dessa conversa de se conhecer bem antes de qualquer coisa. Porque se conhecer  é muito complicado, e ponto. Se as pessoas nos dissessem para anotar as coisas que mais gostamos/detestamos, o que temos vontade de fazer ou medo que aconteça, já deixaria o caminho do auto conhecimento menos ardiloso.

A utilidade disso? Mais respostas na ponta da língua. Menos roupas nunca usadas. Mais convites interessantes. Menos ressaca moral. Mais sorriso brilhante. Menos arrependimento.

Digo isso porque eu não quero ver mais uma criatura sequer sabotando o próprio destino, nem deixando as ervas daninhas chegarem de fininho com mais terror. NÃO!

Desta vez, Alice esperou pacientemente até que ela resolvesse falar de novo. Após um ou dois minutos, a Lagarta afastou o narguilé, bocejou uma ou duas vezes e espreguiçou-se. Depois desceu do cogumelo e saiu rastejando pela grama, dizendo simplesmente, enquanto se afastava: “Um lado fará você crescer, o outro fará você diminuir.”

 

Trechos do livro Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll.

 

como chegar à crooked house.

Vendo uma série de fotos que parecem ter sido feitas com photoshop me deparei com essa imagem que realmente não se trata de photoshop. Não, eu não estive lá para conferir. Mas, descobri que fica numa cidade chamada Sopot, na Polônia. O design das casas é do arquiteto polonês Szotynscy Zaleski, inspirado pelas ilustrações de contos de fada do artista Jan Marcin Szancer e também pela arte de Per Dahlberg.

Ilustração de Szancer

E eu fiquei tão curiosa para conhecer essa “casa torta” que resolvi simular como seria o meu trajeto até lá. O primeiro passo foi descobrir qual das cidades polonesas que têm aeroporto (ou voo saindo de Recife) fica mais perto de Sopot, cidade onde ficam as casinhas. A resposta é Varsóvia. Então a primeira coisa a se fazer é comprar uma passagem para Varsóvia. Saindo de Recife eu encontrei passagens entre R$3k  e quase R$ 4k. Carinho, hein? (mas como eu não tenho o dinheiro mesmo, tá ok hehehe)

(aeroporto >> ônibus 634 para descer perto de Warzawa centralna (estação central) // ou táxi)

O segundo passo foi descobri como chegar de Varsóvia até Sopot. Pesquisando no Google eu achei esse site que vende tickets de trem. Lá você também encontra horários, preços e pode comprar online – super eficiente. Além disso, a viagem tem um preço bem ok. Os quase 400 km que separam Varsóvia de Sopot iriam me custar entre 90 e 95 zloty (moeda polonesa), o que significa uns US$28! Na verdade o trem deixa na estação de Gdansk, de lá é só mais um ônibus e em 20 minutos eu já estaria no albergue em Sopot.

Essa é a estação Gdansk, a última parada antes de Sopot:

Antes de chegar à Crooked House, eu iria deixar minha mochila no Siesta Hostel, o mais baratinho e charmoso que eu encontrei. Eu vi que a diária custava US$ 17, mas não sei se esse preço está atualizado. Mesmo assim, se for o dobro ainda está ok. Até porque ele fica a 20 minutos da estação Gdańsk, que é a mais perto de Sopot.

Olha a frente do albergue!

Daí, eu caminharia um pouquinho mais de um quilômetro até a rua onde fica a Crooked House :) Vejam na foto do Google Maps como é bonitinha a rua em que ela fica. 

E aí, curtiram a viagem? Pena que foi só via Google Maps, né?

ataques verbais.

Eu acredito que uma pessoa pode atacar outra verbalmente sem saber que o fez. Por isso, saber lidar com esse tipo de situação e não se ofender com palavras (ou gestos) desagradáveis é uma forma de deixar a vida mais leve e evitar desperdício de energia com coisas que não valem a pena.

Uma agressão verbal direta, mesmo que ingênua (aparentemente) pode desestabilizar uma pessoa e causar estresse desnecessário. E como fazer para combater essa erva daninha do bom humor? É simples! Existe técnica e treino para isso.

Quem me contou essa história foi Ândrica, minha best. Ela me falou do livro “Como se defender de ataques verbais“, da escritora alemã Barbara Beckhan, mas eu ainda não li todo, só achei esse trecho dele na internet. Embora tenha preguiç de autoajuda, o livro parece ser bem prático, como um manual de como usar um celular!

3 atitudes fáceis de praticar para se defender de ataques verbais:

1. Crie uma barreira

Na página 12 do livro ela fala para criar um “escudo invisível” e a primeira imagem que veio na minha cabeça foi de uma propaganda de camisinha. Eu já estou treinando para imaginar a pessoa tentando gritar através de uma bolha que só deixa passar a voz num ritmo acelerado e com voz de pato. hehe

 2. Não vire o alvo e não curve a sua postura

“Quando você se rebaixa, convida os outros a pisoteá-lo. Quando aparenta ser uma ovelha indefesa, atrai lobos ferozes.” E sempre vai ter alguém a espreita para descarregar negatividade, descontar algo de ruim ou agredir gratuitamente mesmo.

3. Rebater o ataque para fazer o agressor refletir

Tem gente que não sabe dizer que uma pessoa errou sem agredir. Por exemplo, se uma pessoa lhe diz: “O teu rendimento está abaixo de zero”. Responda com frases do tipo: “Que quer dizer com…? Que significa…? A que se refere com…?”. Assim, o agressor irá refletir sobre o que acabou de dizer e você ganha tempo para pensar no que virá em seguida. Com sorte, ele perceberá que não usou as palavras certas e que você não está nem um pouco a fim de dançar no ritmo dele.

Vale pra vida, né?