a vida e o merengue de morango.

Pint of Strawberries
Fotografia – Mr.TinDC

Eu só sei fazer risoto. Outro dia fiz uma carne facílima com molho de limão siciliano, mas nunca passa disso. Para a festa de réveillon decidi que faria um merengue de morango para os meus amigos – uma receita simples.

Uma semana antes da data, pesquisei umas receitas de liquidificador, mas lendo e conversando com meu namorado que entende muito mais de cozinha, decidi que seria melhor comprar uma batedeira, e comprei.

Dia 1
Um dia antes da festa, fui fazer o teste: comprei ingredientes, assisti ao vídeo com a receita que eu escolhi 258 vezes e comecei a seguir o modo de fazer sem piscar o olho. A receita diz o seguinte: faz a calda de açúcar, mistura com claras em neve e bate por 15 minutos – é só isso! Na primeira tentativa, a clara em neve não funfou ou eu errei o ponto da calda de açúcar. Na segunda tentativa, eu achei que tinha dado certo, guardei na geladeira, mas depois vi que o merengue começou a açucarar.

Acabaram-se os ovos e já era mais de meia noite.

Dia 2
Comprei uma bandeja de ovos grandona (acho que vem 24) e os morangos que ainda não tinha. Lá fui eu tentar de novo, e de novo algo deu errado com o meu merengue. Joguei a receita toda fora, já com os olhos marinados, digo, marejados. Enquanto isso, o pernil que meu namorado estava assando reluzia.

Ok. Começa tudo de novo, com cuidado redobrado.

Confere o ponto da calda na água gelada, para ter certeza que está em ponto de bala mole. Olha direitinho se a clara está mesmo em neve e – UFA! – finalmente deu certo! Mas, pera. Tem muito pouco. E faz mais duas receitas para completar o bowl de merengue (a segunda ficou meio mole, mas já era quase 20h, então, foi assim mesmo).

Ficou lindo e delicioso. Não sei por que raios não tirei uma foto dele pronto.

No dia 1 de janeiro, pensei na saga do meu merengue. Percebi que o principal motivo da minha impaciência para cozinhar é que seguir a receita nem sempre garante que tudo dará certo, existe tentativa e erro. Isso é muito óbvio, né? Para mim não era. Mas, em seguida, lembrei das minhas aulas de tecido acrobático e acho que cozinhar é um pouco parecido. Quando eu vou aprender um movimento novo, nem sempre consigo acertar de primeira, ou executar da melhor maneira, por isso, repito o movimento várias vezes até realmente aprendê-lo.

E assim são outras coisas na vida, certo?

Nem sempre a gente acerta a faculdade de primeira, ou lê um livro e entende tudo na primeira vez. A gente também erra no primeiro namorado – às vezes morre de arrependimento depois, mas, fazer o quê? Erramos nas primeiras vezes em que vamos fazer a sobrancelha em casa ou escolher uma casa. Mas, e daí? A gente muda, joga fora e recomeça.

E sabe qual é a nossa sorte? Enquanto houver vida, haverá mais ovos para começar a bater outra clara em neve.

não tem nome.

Suave.

E doce.
Tem cheiro de cacau com baunilha.

Agradável, sorridente. E ri à toa (com um sorriso do tipo paisagem, se é que existe).

Sempre.

Não tem nome, só tem cor.
Não tem hora de parar. Me beija.

Suspira. Espirra. Sorri e assopra.
Abraça e aperta.

Agora, fala pra mim.

romance framboesa.

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Café preto. Sem açúcar.

Dois ovos fritos. Quatro fatias de pão.

Go!
Well, it’s 1, 2, 3
Take my hand and come with me
Because you look so fine
That I really wanna make you mine
I say you look so fine
And I really wanna make you mine
(tocando de fundo, meio intrometida)

O camembert que ele trouxe da padaria. Geleia de framboesa. Os dois misturados tinham o gostinho da alegria de levantar mais cedo no domingo para comprar coisas para o café da manhã. Mesmo que este só aconteça depois das duas da tarde.

Oh, 4, 5, 6 c’mon and get your kicks
Now you don’t need that money
When you look like that, do ya, honey
(voz feminina misturando)

Ele levanta da mesa para pegar mais uma faca. O camembert fica ótimo com framboesa, mas não dá para cortar com essa faquinha de passar geleia.

Big black boots,
Long brown hair,
She’s so sweet
With her get-back stare

Well I could take you home with me,
But you were with another man, yeah!
I know we ain’t got much to say
Before I let you get away, yeah!
I said, are you gonna be my girl?
(voz feminina misturando de novo)

– Tem leite condensado na geladeira, quer que eu pegue para você?

– Ela diz que não. Que está bom assim.

I could see
You home with me,
But you were with another man, yeah!
I know we ain’t got much to say
Before I let you get away, yeah!
Be my girl
Be my girl
Are you gonna be my girl?
Yeah
(vozes se misturando)

Os olhos se cruzam com sorrisos. Ele repete: – Are you gonna be my girl?