mamãe, o mecânico me roubou.

Eu sabia que ia passar por isso um dia. Quando tinha um carro novo ia sempre na concenssionária para manutenção na tentativa de evitar ser feita de trouxa, mesmo sabendo o que a conta seria mais cara. Porque se tem uma coisa que me deixa triste e descrente deste mundo, é quando as pessoas me tentam passar a perna.

Porém, certa terça-feira, ouvi barulhos medonhos quando freiava e fui obrigada a parar na oficina do sr. Pedro. Ele foi super simpático, mas na hora do preço resolveu que sua mão de obra de menos de 30 minutos valia 150 reais. Além dos 100 que custaram as pastilhas dos freios de um carro popular de 2010. Claramente não era esse preço, eu tentei discutir, mas paguei porque estava atrasadissíma e me culpei por não ter fechado um preço antes.

Fui embora enfurecida. Liguei em uma outra oficina e descobri o quanto o Sr. Pedro simpático havia me “roubado” (estou em dúvida se as aspas são necessárias). Não tive dúvida, liguei pro tal mecânico fanfarrão e contei o que estava acontecendo: moço, to sabendo que o sr. me roubou e quero meu dinheiro de volta, s’il vous plaît. Eu pensava: se nada acontecer, ele pelo menos vai ficar mais receoso quando for enganar a próxima pessoa inocente e menos desnconfiada.

Resultado: o tal do Sr. Pedro devolveu uma parte do dinheiro e, obviamente, nunca mais voltarei lá. Juro que isso aconteceu. Moral da história: não deixe que as pessoas lhe façam de boba. E se isso acontecer, volte atrás e diga: seu espertalhão, estou sabendo que fui enganada. Acredito que essas pessoas maldosas devem perder a confiança de agir assim.

Lembrei das três mulheres que desvendaram um rapaz que saía, iludia e fingia amar todas elas (entenda o caso), ja imaginou quão seguro de suas fanfarrices estava esse rapaz? Não sei se ele aprendeu a lição, mas deveria. E isso vale para todos os patifes a solta, em todas as suas ocupações: seja no tinder, no escritório, no tribunal, no consultório ou na oficina mecânica.

 

o horóscopo e as notas do perfume.

Antes de começar este texto, notei que em pleno dia 9 ainda não li todo o meu forecast de maio no astrologyzone.com (site da astróloga queridíssima, Susan Miller) – eu disse “todo” porque costumo lê-lo por partes, para conseguir apreender tudo que os astros revelam, e não é pouca coisa! De qualquer forma, já estou bem orientada pela fofíssima Maina Mello (eu me sinto amiga das minhas astrólogas preferidas).

Se você não acredita em horóscopo e nem que os astros podem influenciar a nossa a vida esfarelada aqui na terra, tudo bem, pode clicar aqui. Mas, se você acredita, vou te contar a história do perfume.

Outro dia eu estava tentando explicar para uma amiga o que significa ascendente, signo solar e a lua no mapa astral. Repentina e astutamente meu cérebro me levou a comparar o mapa astral de uma pessoa com um perfume e suas notas aromáticas (se alguém já fez isso eu juro que não sabia). Funcionou, ela entendeu e agora eu tenho que dividir essa metáfora maravilhosa com vocês.

  • Ascendente

É a nota de topo, a primeira impressão do perfume. O seu ascendente é a primeira impressão que você passa para as pessoas, mas que não necessariamente reflete a sua personalidade. É como a gente se mostra para o mundo quase que sem querer. Sabe quando alguém comenta, “nossa, achei que você era timida”? Isso geralmente é reflexo do seu ascendente. Uma aparência que às vezes engana.

  • Sol

Nota do coração, seu aroma é sentido após 30 minutos. Meia hora de conversa é suficiente para uma pessoa observadora captar os sinais do signo solar de alguém. Este tem a ver com a essência e as características mais marcantes. Quem tem uma amiga leonina sabe quem em meia horinha de conversa ela solta um “porque eu sou maravilhosa” ou algo parecido. A aquariana, por sua vez, acaba deixando escapar sua preocupação com um bem maior ou algo do tipo.

  • Lua

Nota de fundo, percebida depois de 2 horas. Essa é a Lua, ela representa os sentimentos, questões afetivas e emoções. Costuma aparecer um pouquinho mais tarde, com a intimidade. A lua faz toda a diferença no mapa. Eu sou aquariana com ascendente em leão e tenho lua em câncer – isto é, sou desapegada, prezo a liberdade, pareço mais confiante do que realmente sou e, apesar do desapego de aquário, tenho um coração super maternal.

Os signos são como as fragrâncias e cada pessoa é um perfume diferente, elaborado a partir de uma mistura única que começa no dia do nascimento, mas que acaba sendo influenciada todos os dias: pela vida, pelos astros, pelas pessoas.

Quer falar mais sobre isso? Então vem!

protocolos da solteirice.

Não é fácil ser mulher, 27 anos, solteira. Não tenho mais papel e até as minhas bics secaram com tantos protocolos que deveria anotar para cumprir – se fosse seguir o modelo de comportamento que o mundo espera (claro que não é o mundo todo). Coisa demais, pensamento demais, frescura demais. Começa pelo fato de que toda solteira é mais feliz – sim, você tem que demonstrar que está melhor do que a sua amiga que sai pouco, só Netflix e engordou 4 quilos depois que começou a namorar. E a sua vida tem que ser agitadinha: “como assim, você, bonita, jovem, solteira, tem que aproveitar, menina”!

É uma pressão tola, mas que existe. E pode sair até do olhar meigo da sua cachorrinha, que parece estar com dó de você, do seu livro e da sua caneca de chá sem uma companhia amorosa, sem um cafuné. Você fala que está tudo bem, que realmente adora ficar sozinha. Mas um vento preconceituoso te sopra com ironia. O mesmo vento que não acredita que alguém pode ser gordo e feliz.

Cada um é feliz de um jeito.

De uns dias para cá, a minha solteirice ficou calminha. Ficar sozinha é uma coisa assentou para mim. Já vejo Netflix sozinha ou com algumas amigas – claro que sempre tem uma entediada no meio. Tomo cerveja num bar sem antes olhar se tem gente bonita por perto e nem me apresso mais para conhecer aquele amigo do amigo do amigo que no fundo não tem nada a ver comigo. Passei reto.

Tenho preguiça de ficar prestando atenção se um outro olhar encontra o meu. Não desisti da paquera, mas hoje ela faz mais sentido se for depois de uma conversa singela, mesmo que ele odeie Wes Anderson e exclame inconformado (!!!11!) por eu nunca ter assistido a todos os episódios de Star Wars.

Sábado de manhã eu vou à manicure e até me depilo sem esperança de sexo. Tiro tudo para ir à praia, mas com as amigas mesmo. E até com casal amigo no meio, sem preconceito. Não to à caça, não to esperta, não to de olho. Chega de protocolos, eu posso ser assim.

se é pra falar de amor.

Cadê o Marcinho, gente? Não sei por onde ele anda e talvez por isso ninguém esteja falando muito de amor. O coração de 2015 está prejudicado, deu para sentir a pancada no divórcio da Joelma e do Chimbinha, o casal mais maravilhoso do Pará. Agora, amor é só para quem já encontrou: quem amou, amou; quem não amou, não ama mais.

Para Joelma, do Calypso

Joelma, querida, seja bem-vinda à gaiola das loucas que não falam de amor, que não se apaixonam e não têm brilho nos olhos, nem frio na barriga. Quando raramente sentem algo assim, sanam com álcool ou qualquer outro entorpecente (Netflix, cappuccino, nutella, hotel spa ou trabalho).

Flores e crianças não são bem-vindas (sua filha já tá crescidinha, né?). Esse chocolate aí você pode levar de volta, porque elas estão todas de dieta. Só comem chocolate na TPM. Todas juntas. Pois seus úteros são inimigos mortais – mas todos falham na missão de reproduzir. E pode faltar água, nunca anticoncepcional e vontade de continuar sozinha e livre.

Jo, e se a gente encontrasse o Marcinho e pedisse para ele contar de onde vem a paixão, de onde vem a coragem para admiti-la e deixar se entregar? Ele deve saber onde que a gente joga fora esse medo de assumir. Será que a gente escapa dessa gaiola?

Em 2015, Elizabeth e Mr. Darcy não vão chorar na chuva até admitir o quanto se amam e querem deixar de lado qualquer empecilho que os separam. Mr. Darcy, cauteloso em seus pensamentos, demorará demais para responder o WhatsApp e, orgulhosa, Elizabeth nunca mais irá responder, estupefata com a ousadia das silenciosas setinhas azuis.

E agora, Joelma? Tu que cantava a Cumbia do Amor sucumbiu a 2015.
Marcinho, acode!

ok, eu tenho ciúmes.


Francesca Woodman | mirror mirror on the wall

Admito: fui olhar o facebook daquela menina que comentou uma coisa nada a ver na sua publicação. Na hora, as minhocas ciumentas na minha cabeça me disseram que vocês tinham códigos secretos – e, obviamente, eram amantes há longas datas. Eu, papel de boba – mas eu acho que elas mentiram.

Confesso: as minhas mãos criaram vida própria aquele dia que a sua melhor amiga tirou um pelinho da sua blusa. Até agora não sei como as minhas mãos conseguiram chegar antes da dela – o ciúme desafia as leis da física, é tipo mosca. Mas quem ela pensa que é para triscar seu peitoral lindo-maravilhoso?

Eu sou vaidosa e me arrumo só para mim mesma. Mas, tenho que dizer a verdade: aquele dia eu me atrasei pra chegar no bar porque eu sabia que aquelazinha estaria lá toda enfeitada – então, fui pegar um salto porque não queria ficar por baixo. É feio competir? Foi mais forte do que eu.

E se ter ciúme é pecado, pode condenar.

aproveita, menina.

Recentemente eu descobri a Jout Jout e deu até vontade de fazer vídeos também – depois de ver vários vídeos legais no canal dela, cheguei neste aqui que fala sobre o quanto nós mulherzinhas deixamos de fazer certas coisas por causa do julgamento alheio. Eu, que me acho até bem resolvida, me flagrei naquela situação boba de contar nos dedos o número de namorados, ficantes e peguetes – como se me importasse mesmo.

Lembrei que sei de cor com quantos caras eu transei, se me esforçar acho que conto quase todos os ficantes, peguetes, whatever – não sei como chamá-los sem achar estranhíssimo. Que coisa boba, né? Não o número, mas o fato de se importar se foram muitos ou poucos, porque eu recordo bem de ter dado uma “segurada” quando eu cheguei em um número x que eu achei “bom”, porque mais, seria demais.

Tenho um pouco de vergonha de ter me julgado e de não ter tido todo o desapego sobre essas questões antiquadas. Enquanto a gente tenta “segurar”, os meninos aceleram (espertinhos). E isso é desde a 8ª série, quando nos convenceram de toda essa ladainha porque ninguém queria se arriscar e se tornar a menina que “não é para casar”.

Sabe o que eu acho hoje? Se quiser, vai lá e faz. E se julgarem? Dá risada dessa perda de tempo. A vida é uma só e, na boa, nós nem somos tão significantes assim. Dois dias depois, ninguém lembra mais.

a gente faz as pazes todos os dias.

Não é porque a gente briga todo dia (acabei de lembrar que você disse que ligaria quando chegasse em casa e não ligou), é porque a gente não quer mais envenenar o relacionamento com bobagem.

Outro dia ele ficou chateado porque eu dormi o dia inteirinho e aquele sábado era o dia que a gente tinha para ficar junto. Em outros tempos eu teria respondido que ele é um chato que não entende que eu estava super cansada. Mas, desde que a gente decidiu por fazer as pazes todos os dias, a resposta mudou e, como ainda eram 19h, eu prometi naquele momento que faria as últimas horas do dia valer a pena <3 e tudo ficou bem de novo.

Foi aí que eu percebi que se você não tem atitudes pacíficas (na maior parte do tempo) tudo vai por água abaixo e o relacionamento começa a ser destrutivo para os dois por um questão de ponto de vista, impaciência e falta de colaboração – coisas inexistentes no começo do namoro, quando os coraçõezinhos estão transbordando das nossas têmporas.

É por isso que para manter o relacionamento saudável, é bom que se faça sempre as pazes, que a paciência nunca falte, porque na hora que realmente precisar armar um barraco, a gente não corre o risco de ser mal interpretada (TPM, piti, tempestade num copo d’água) e muito provavelmente será ouvida – e isso vale para os dois lados. Porque mimimi só atrapalha.